Garoto de recado de Dilma, Jorge Messias é rejeitado pelo Senado e impõe derrota histórica a Lula em ano político.
Senado embolsa 12 bilhões em emendas e repova Jorge Messias para o STF.
Em um movimento considerado histórico, o Senado Federal do Brasil rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), impondo uma das maiores derrotas políticas recentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O placar foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, insuficiente para atingir os 41 votos necessários à aprovação.
A decisão marca a primeira rejeição de um indicado ao STF em mais de 130 anos, rompendo uma tradição histórica de aprovação praticamente automática dos nomes indicados pelo Palácio do Planalto. Uma derrota política de grande impacto.
A rejeição de Messias é vista como um duro golpe para o governo Lula, especialmente em um ano de forte movimentação política e eleitoral.
Mesmo após meses de articulação intensa junto aos senadores, o governo não conseguiu consolidar maioria. A votação secreta revelou uma base fragilizada e resistência significativa dentro do próprio Congresso.
Nos bastidores, a indicação enfrentava críticas desde o início, inclusive de lideranças importantes do Senado, o que dificultou a construção de consenso.
De “Bessias” a indicado ao STF
Jorge Messias ganhou notoriedade nacional ainda durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, quando ficou conhecido pelo episódio em que foi citado como responsável por entregar um termo de posse ao então ex-presidente Lula — o que lhe rendeu o apelido de “Bessias”.
Com trajetória consolidada na área jurídica do setor público, Messias comandava a Advocacia-Geral da União desde 2023 e era considerado um nome de confiança do presidente.
Apesar disso, sua indicação ao STF enfrentou resistência por questões políticas, ideológicas e dúvidas sobre sua independência em relação ao governo.
Sabatina longa, mas insuficiente
Antes da votação em plenário, Messias passou por uma sabatina de mais de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde chegou a ser aprovado.
Durante o processo, abordou temas sensíveis como aborto, atuação do STF e relação entre os Poderes, defendendo equilíbrio institucional e respeito ao Congresso.
Ainda assim, o desempenho não foi suficiente para reverter a resistência no plenário.
Impactos para o governo Lula
A derrota tem efeitos diretos e simbólicos:
Enfraquece a articulação política do governo no Senado
Expõe divisões na base aliada
Cria incerteza sobre futuras indicações ao STF
Aumenta a pressão em um ano eleitoral
Além disso, Lula terá que indicar um novo nome, reiniciando todo o processo de sabatina e votação.
Um episódio histórico
A rejeição de um indicado ao STF é extremamente rara no Brasil. O último caso semelhante havia ocorrido ainda no século XIX, durante o governo de Floriano Peixoto.
O episódio entra para a história política recente como um marco na relação entre Executivo e Legislativo.
O que acontece agora
Com a vaga aberta no STF — deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso — o presidente precisará:
Escolher um novo indicado
Submeter o nome à sabatina na CCJ
Enfrentar nova votação no plenário do Senado
O próximo movimento será decisivo para medir a real força política do governo no Congresso.


Nenhum comentário